O belo: entre interesse e desinteresse

O problema de se tentar definir o conceito de belo pode ser posto de muitas formas. A mim parece que a forma mais clara é esta: o que define um objeto como belo está nele ou em nós?

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Parece ser nesse mesmo sentido que Nietzsche reconstrói a discussão em Genealogia da moral. Começa nos fornecendo a definição kantiana segundo a qual “o belo é o que agrada sem interesse”. Ao tentar eliminar o interesse de nossos juízos estéticos, Kant pretende eliminar precisamente aquilo que nos é particular, subjetivo e parcial. Nas palavras de Nietzsche, ele tenta prestar honras ao conceito de belo ao equipará-lo ao de conhecimento, tentando dar a ele um caráter impessoal e universal. Em minhas palavras, o que Kant está dizendo é que um objeto é belo por ele mesmo, independente do espectador. Ou seja, que todos podem chegar à mesma conclusão sobre uma obra de arte. A Monalisa é bela para todos.

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A constatação de Nietzsche é bastante fecunda. O conhecimento precisa ser impessoal e universal, pois aquilo que se almeja é a verdade. Portanto, quanto menor o fator humano, melhor. Já a contemplação da arte não necessita ser assim. Aliás, tampouco pode ser.

Pensando em como funciona a linguagem, podemos retomar a discussão de outra perspectiva: a função do conhecimento é descrever fatos, a da arte é expressar e causar sentimentos. Por exemplo, quando escrevemos poemas para nossas namoradas, ou fazemos desenhos para nossos amados, não esperamos com isso que eles façam análise erudita sobre o mimo. Queremos emocioná-los! Se nos disserem que nossas metáforas são óbvias, que o poema não está bem construído, que o jogo que cores da pintura não combina, ficaremos desolados. Jamais escreveremos outro poema ou conto, jamais faremos outro desenho ou presente, pois queremos agradar, emocionar, não sermos avaliação nos pormenores da obra.

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Assim, podemos retornar à questão inicial: o que define um objeto como belo está nele ou em nós? Creio que, com alguma segurança, podemos dizer que está em nós, pois isso condiz com a função própria da arte. Caso contrário, seu objetivo deveria ser outro. Porém, aos artistas não interessa compreender o mundo, mas sim emocioná-lo.

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